20/09/2021

Medo de cair ganha classificação internacional de pesquisadora da Enfermagem de MS

Silvana Barbosa Pena avaliou o medo como fator de risco para queda em idosos e contribuiu com a Ciência

Nelson Miolaro, do Vovôs TikToker, foi internado após cair e não resistiu às complicações de uma cirurgia – Foto: Reprodução/Instagram

A fofa e divertida vovó TikToker – como é conhecida por seus 10 milhões de seguidores a dona Nair Donadelli, 90 anos – ficou sem o marido e parceiro de vídeos após ele sofrer uma queda e fraturar o fêmur. O vovô Nelson Miolaro passou por cirurgia e não resistiu às complicações, falecendo aos 91.

Cair geralmente não representa um problema para quem é jovem. Já em relação à terceira idade, se trata de questão de saúde pública. Cerca de 30 a 45% dos idosos com 60 anos ou mais sofrem pelo menos uma queda anualmente, segundo a OMS, e muitos casos têm o mesmo desfecho que o de Nelson.

A publicação de Silvana Pena sobre o medo de cair contribui com a Ciência e ajuda a prolongar a vida de pessoas idosas – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

De Três Lagoas (MS), a enfermeira e professora universitária Silvana Barbosa Pena se dedicou a pesquisar o assunto e conseguiu inscrever o nome no Diagnosis Development Committee (DDC, Comitê de Desenvolvimento de Diagnósticos) da NANDA-I com uma análise publicada este ano sobre o medo de cair como fator de risco para quedas em idosos.

A publicação internacional tem grande significado por se relacionar com três classificações técnicas da Enfermagem: a NANDA-I (mencionada acima), a NOC e a NIC. As três trazem conjuntos de termos compreendidos por todos os enfermeiros, utilizados para descrever os fenômenos de Enfermagem e auxiliar na tomada de decisão envolvendo diagnósticos de Enfermagem. “Importante frisar que todas as ações de Enfermagem são baseadas em ciência e teorias”, ela destaca.

“Classificações possibilitam e norteiam a Enfermagem como ciência e com um papel definido na Sistematização da Assistência em Enfermagem, a SAE. Organizam o trabalho profissional quanto ao método, pessoal e instrumentos, tornando possível a operacionalização do Processo de Enfermagem”, explica a pesquisadora.

Silvana orgulha colegas sul-mato-grossenses e brasileiros da Saúde por produzir mais uma contribuição da Enfermagem para a Ciência, e ajudar a prolongar a vida de pessoas idosas na prática.

A autora da publicação é professora do curso de graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Mato Grosso Sul (UFMS), Campus Três Lagoas – Foto: UFMS/Divulgação

Desde 2013, a professora investiga o tema de sua publicação. Mesmo ano em que ingressou no doutorado em Enfermagem pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

O medo de cair como fator de risco – A queda em idosos é multifatorial, ou seja, está ligada a vários e diversos fatores. O medo de cair, avaliado como um indicador do fator de risco por Silvana, apresentou uma razão de chance de queda de 12,1 (IC 95% = 10,7-13,7) quando comparada ao grupo sem medo de cair. Estudos encontraram prevalência do medo de cair entre 25% a 86% dos idosos que vivem na comunidade, sendo ele presente também nos idosos que não apresentaram quedas.

Este medo impacta negativamente a vida idosa com a restrição das atividades, comprometimento da funcionalidade física, psicológica e mental. Por outro lado, pode ser positivo quando torna a pessoa da terceira idade mais cautelosa e cuidadosa, e inspira mais atenção por parte dos cuidadores.

Classificação pode ser lida no NANDA e no arquivo em anexo (em inglês) – Foto: Reprodução/NANDA 2021-2023

Envelhecimento da população despertou interesse – “Você também vai ficar velho” é uma frase que sempre ouvimos ao rir de alguma fala ou hábito relacionado à terceira idade. Também segundo a OMS, é mesmo provável que cada vez mais pessoas cheguem à velhice. Até o ano 2100, cerca de 40% da população será idosa no Brasil.

“O que me levou a realizar pesquisas centradas na pessoa idosa foram experiências da minha prática clínica de assistência de enfermagem, ao observar um número maior de pessoas idosas nos cenários de atendimento em saúde em todos os níveis de atenção primária, secundária e terciária e os dados científicos sobre os dados demográficos e epidemiológicos relacionados ao envelhecimento populacional no contexto mundial e nacional”, justifica a pesquisadora.

O e-mail de Silvana, para quem quiser obter mais informações sobre a pesquisa e a publicação é silvana.pena@ufms.br.

Em defesa da Ciência – Em tempos em que o negacionismo ameaça a credibilidade e desenvolvimento da Ciência, é sempre bom reforçar: o Coren-MS defende e apoia a pesquisa e prática baseadas em Ciência, e incentiva a produção científica ao criar publicações como os Protocolos de Enfermagem para a Atenção Primária à Saúde e realizar eventos para discutir avanços da profissão, como a Semana da Enfermagem.