22/05/2019

Enfermagem da fronteira com o Paraguai recebe atendimento e conferências durante evento do Coren-MS

Em Mato Grosso do Sul, a Semana da Enfermagem estende-se até dia 28 de maio este ano

Os profissionais que são a linha de frente da saúde na fronteira que separa Brasil e Paraguai, em Ponta Porã (MS), imergiram em dois dias de aprendizado e reflexão levados pela 8ª Semana de Enfermagem do Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso do Sul (Coren-MS). Aqueles que precisavam dos serviços profissionais prestados pela autarquia, também puderam ser atendidos por uma equipe itinerante durante o período.

Reunidos na recepção do Hospital Regional Dr. José Simone Neto, cerca de 130 enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, além de estudantes das áreas, pararam para participar das três conferências realizadas nas noites desta segunda e terça-feira (20 e 21): “Enfermagem, uma voz para liderar: saúde para todos”, com o presidente do Coren-MS, Dr. Sebastião Junior Henrique Duarte; “Promoção da saúde mental dos profissionais da Enfermagem”, com o professor do curso de Enfermagem da Universidade Federal de São João Del-rey (UFSJ), Dr. Richardson Machado; e “Cuidando de quem cuida”, com o mestre em Psicologia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Renisson Costa Araujo.

Gerente de Enfermagem do Hospital Regional de Ponta Porã, a Drª Edna Candido, agradeceu o Coren-MS pela atenção dada ao município e aproveitou a oportunidade para reforçar ao público a importância da união da categoria. “Temos que nos ajudar e nos unir. Grupo unido, ninguém derruba”.

Os participantes foram, em sua maioria, funcionários de diferentes setores da unidade hospitalar, mas também houve procura por parte de estudantes da região. A programação oferecida foi toda gratuita.

Dia 1: O SUS, o papel da Enfermagem, Nursing Now e promoção da saúde mental –  O Dr. Sebastião Junior abriu a Semana da Enfermagem falando sobre o SUS no Brasil. Colocando na mesma linha do tempo o desenvolvimento do sistema de saúde e o fortalecimento da Enfermagem, mostrou como a saúde pública avançou no País graças ao trabalho dos profissionais da área. “Desde que a saúde passou a ser um direito, a qualidade de vida melhorou muito. E o profissional da Enfermagem tem papel central nisso, já que ele é quem está na ponta da assistência, defendendo os pacientes e fazendo seu trabalho com raciocínio científico”.

O palestrante lembrou que a realidade de outros países – como o vizinho Paraguai, por exemplo – não é a mesma. Tanto é que muitos procuram atendimento no lado brasileiro. “Aqui no Hospital vocês dão assistência também a nossos irmãos paraguaios, sabendo que eles não dispõem de um serviço de saúde como nosso. Ainda que sejamos um país com muitas desigualdades, somos vistos como um grande laboratório da qualidade da saúde pública lá fora”.

Para o presidente do Coren-MS, os profissionais são “a caixa-preta do sistema de saúde do Brasil” e, sendo capazes de responderem a desafios em uma equipe multidisciplinar, precisam estar mais cientes de sua força. “Precisamos dessa consciência e também de políticas fortes, não só para reivindicar a jornada de 30 horas semanais, mas também para mudar a formação, pedindo a reformulação das diretrizes curriculares”. E fez uma ressalva. “Não somos pretensiosos, não queremos dizer que somos os melhores de todos. Só queremos mostrar que somos essenciais para o funcionamento do sistema de saúde”.

Em referência à campanha Nursing Now, Sebastião encerrou falando que é necessário promover a valorização do profissional da Enfermagem para a sociedade e que, para isso, a própria categoria tem que reconhecer seu valor.

Após a primeira conferência, o Dr. Richardson falou sobre a dependência química e o efeito das drogas no organismo. Explicando o que ocorre durante o primeiro contato com as substâncias ilícitas até o estágio de dependência, despertou interesse dos participantes e promoveu um maior entendimento a respeito do assunto.

Além disso, a palestra do professor da UFSJ também serviu de alerta para o abuso de drogas entre quem trabalha com saúde. “O uso de droga é uma epidemia geral. A Organização Mundial de Saúde avisa que ela está chegando aos profissionais da saúde. Nós estamos registrando muitos casos de profissionais que buscam a drogadição como uma válvula de escape, como o suporte para o desgaste emocional que sentem no dia a dia da profissão. Precisamos cuidar do resgate desse profissional, tentar entender o que o leva a buscar esse tipo de alternativa”, finalizou.

Coordenador da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Ponta Porã, o enfermeiro Dr. Cassio Humberto Solidade participou das conferências do primeiro dia. A oportunidade, para ele, serviu para adquirisse mais conhecimento e se empoderasse como profissional e gestor de equipe. “Tenho essa preocupação em motivar a equipe, fortalecer nosso vínculo e reconhecer a importância do trabalho em grupo. Nesse sentido, o que foi falado sobre liderança ajudou bastante”. De forma geral, a presença do Coren-MS em Ponta Porã trouxe valorização e reconhecimento para todos os que participaram, segundo Cassio.

Dia 2 – Quem cuida de quem cuida? – Esta pergunta foi feita pelo psicólogo Renisson Costa Araújo para os profissionais que estiveram no último dia de conferência, acusando a desatenção à saúde emocional, cada vez mais comum entre os trabalhadores da Enfermagem.

Pesquisador da saúde mental ocupacional entre trabalhadores da saúde, o palestrante apresentou um estudo que traça o perfil que mais tem probabilidade de cometer suicídio na Enfermagem: mulher, jovem, com mais de um vínculo empregatício, é trabalhadora intensivista em plantão noturno e é casada.

Renisson ressaltou que o machismo tem grande parcela de culpa no adoecimento das mulheres da Enfermagem. “Elas trabalham o mesmo e recebem salários menores, enfrentam a jornada dupla e procuram conciliar emprego com maternidade, casamento e tarefas domésticas. Em consequência de toda pressão social que recebem, sofrem mais e veem diminuída a sua capacidade de resiliência”.

A todo o público, ele orientou ter mais atenção com o que o colega de profissão pode estar sentindo. “Todos nós manifestamos algo que incomoda e que dói. Tendemos a não perceber a dor do outro quando resistimos em manifestar a nossa própria dor e nos acostumamos a isso. O profissional da saúde é aquela pessoa que se automedica, que só procura ajuda quando todas as alternativas que conhecia se esgotaram. Ele cuida, mas fica desacostumado a ser cuidado”.

A técnica de enfermagem Ester Mota, funcionária há mais de 20 anos no Hospital Regional, participou da 8ª Semana de Enfermagem. Ela disse ter se identificado com o que Renisson falou. “Seria muito bom falar mais sobre as fragilidades individuais e da equipe. Muita coisa do que ele abordou ali tem relação com minha experiência na Enfermagem. Não podemos buscar perfeição no profissional da Enfermagem. Ele tem que ser perfeito na sua atuação, mas como ser humano ele é falho e frágil. A gente presencia dor a todo momento, precisamos mesmo de mais motivação, e o Ronisson mostrou ao profissional de saúde que ele pode falar sobre a dor dele”.

Também técnica, Rute Ramos afirmou que a palestra foi motivante. “Valeu muito para nós. Às vezes sentimos culpa por estarmos cansados. Nos perguntamos, por que estou cansado sendo que eu cuido do outro? Temos que aprender a lidar com isso”.

A 8ª Semana da Enfermagem do Coren-MS continua
Confira as próximas agendas e inscreva-se nos eventos:

23/5 – Naviraí – inscrições aqui
24/5 – Nova Andradina – inscrições aqui
27 e 28/5 – Corumbá – inscrições aqui





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