20/03/2019

Em palestra, pesquisador trata da especificidade da enfermagem à saúde do homem

Durante o evento, o pesquisador divulgou o protocolo referente a importância dos cuidados da saúde do homem na atenção primária

O enfermeiro e pesquisador da UFG (Universidade Federal de Goiás), Dr. Marcos André Matos, realizou na noite desta terça-feira (19/03), a convite do Coren-MS, a palestra intitulada “Assistência da Enfermagem à Saúde do Homem”. O evento ocorreu no Centro Educacional Anhanguera de Campo Grande.

O objetivo do evento foi conscientizar a categoria quanto ao assunto e divulgar o protocolo referente a importância dos cuidados da saúde do homem na atenção primária, que vai ao encontro da Política Nacional de Saúde Homem, instituída no ano 2009.

Segundo Matos, a mulher vive cerca de 7,8 anos a mais que o homem e a cada 5 jovens que morrem, 3 são homens. “O último senso do IBGE constatou a presença de 4 milhões de mulheres a mais que homens no país. Os homens morrem cada vez mais precocemente de fatores que poderiam ser prevenidos, se os profissionais de saúde se conscientizassem em abordar a saúde masculina durante suas consultas. Percebo que se fala muito da próstata, por exemplo, e se esquece do restante”, explicou.

De acordo com Matos, o protocolo apresenta o passo a passo para o acolhimento do homem na atenção básica. “Muitas vezes a mulher vai acompanhada de seu esposo na consulta, quase sempre ao lado de postos de saúde tem um bar, mas os profissionais de saúde não costumam ir ao encontro desses homens, que estão próximos”.

O pesquisador comenta que o protocolo trata também do exame pré-nupcial, antes do casamento. “É muito importante o exame pré-nupcial, porque o casal pode identificar doenças congênitas e/ou sexualmente transmissíveis e pode prevenir uma infertilidade, contribuindo com a saúde sexual do casal”.

O fator pré-natal para os homens é outro aspecto do protocolo pouco tratado socialmente. “Quando minha esposa ficou grávida, os profissionais de saúde não me estimularam a participar do período pré-natal e nem do parto. Isso é algo grave porque o homem fica grávido também. Por isso, fiz questão de inserir esse ponto no protocolo”, revela.

Tabus

Matos aponta o estigma em torno da figura da virilidade masculina, como um fator preocupante. “Em uma sociedade machista, na qual se diz que o homem é o sexo forte, que homem não chora e que deve sempre estar preparado para ter relações sexuais, ele acaba não procurando os serviços de saúde. É importante desmistificar isso, para que ele tenha uma sexualidade saudável”.

A questão de gênero, voltada principalmente aos transexuais, também foi um outro tabu apontado por Matos. “O transexual, mesmo sendo uma mulher, continua sendo geneticamente homem. O Transexual fisiologicamente e fisicamente, por exemplo, continua tendo uma próstata e também testosterona, algo que as pessoas desconhecem. Os profissionais de saúde não se atentam e não costumam estar preparados para essas situações”.

O pesquisador comentou ainda sobre a importância da inspeção peniana e do toque retal. “A maioria dos cânceres de pênis poderiam ser evitados, se o homem soubesse fazer o autoexame de pênis e a higienização. Além disso, deve-se tirar o estigma em torno do procedimento do toque retal”.

Motivação para pesquisar o assunto

Matos revelou que o interesse em se aprofundar na temática surgiu após a graduação em enfermagem. “Quando eu me formei, sempre que eu visitava um profissional de saúde, nunca minhas demandas eram satisfeitas, pois não perguntavam como eu me sentia sendo homem, não questionavam sobre a minha sexualidade e nem solicitavam exames importantes. A partir desse momento estudei mais em torno do assunto e percebi que os profissionais de saúde não estavam preparados para atender essas demandas”.

Um drama vivido dentro de casa impulsionou ainda mais o interesse de Matos pela especificidade do assunto. “Meu pai teve câncer de próstata, mas os profissionais de saúde pouco se preocuparam como estava a sexualidade dele com a minha mãe e como estava as suas questões emocionais, por exemplo. A minha inquietação, a partir disso, só aumentou”, relata.

 





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