03/08/2018

Com 38 anos de profissão Sr. Francisco se aposenta e conta sua trajetória na enfermagem

Ao visitar o Coren-MS para fazer o cancelamento de sua inscrição o profissional foi recebido pelos Conselheiros

Francisco exibe seu certificado do curso de atendente que fez ainda na década de 80

O auxiliar de enfermagem, Francisco de Assis Rodrigues, de 57 anos, depois de 38 anos de trabalho se aposentou e agora disse que vai cuidar mais da família e passar uma temporada fora de Mato Grosso do Sul. Ao vir no Coren-MS (Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso Sul), o profissional cancelou seu registro e contou um pouco de sua trajetória ao longo de sua carreira na saúde.

O senhor Francisco começou na área da saúde como atendente no Hospital da Santa Casa de Campo Grande e depois passou atuar como auxiliar de enfermagem. Em 1995, depois de prestar concurso, ele assumiu uma vaga no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) em Mato Grosso do Sul.

Casado há 32 anos, o auxiliar veio esta semana no Coren-MS para cancelar o seu registro, agora, segundo ele, a dedicação será à família e a pescaria. Agora ele quer dar espaço aos novos profissionais que estão ingressando na enfermagem. Assis teve dois filhos, um de 30 anos formado em direito, o outro filho mais novo, morreu em um acidente de trânsito há três anos.

Ao visitar o Core-MS Francisco foi recepcionado pelos conselheiros Carol, Gismaire e Cléberson

“Gosto da área da saúde sempre fui apaixonado pelo meu trabalho, nuca tive preguiça de buscar informações, fiz vários cursos de complementação, é algo que corre no sangue”, afirmou.

“Quando a gente vê o resultado do nosso trabalho, por exemplo, nas pessoas que entram em uma unidade de saúde em estado grave e, a partir de um tratamento, o paciente melhora isso é muito satisfatório. Receber um muito obrigado é muito mais gratificante do que qualquer quantia em dinheiro”, acrescentou.

Fatos que marcaram

Ao longo do tempo atuando como auxiliar o senhor Francisco disse que vários foram os desafios na profissão. Ele guarda em sua memória um fato que aconteceu há 25 anos, onde um policial militar perdeu a vida, no pronto socorro o sargento, mesmo consciente, se despedia dos filhos já pressentindo  a sua morte.

O policial estava conduzindo presos em uma viatura quando o veículo capotou, no acidente o sargento sofreu uma grave fratura no tórax.

Francisco contou à conselheira, Carolina Mores, alguns momentos que marcaram sua carreira

“Ele [o policial militar] chegou consciente no hospital, mas vimos que o trauma era sério e nós da equipe tentando fazer o que podíamos para salva-lo,  mas por três vezes ele dizia ‘Adeus meus filhinhos vocês não verão mais seu pai vivo’, essa foi uma situação que me  marcou muito”, lembra.

“Mesmo a gente presenciando várias mortes em nosso trabalho, nunca nos acostumamos com ela”, completou.

Assis relembra também, já em 2016, de quando teve que agir em um acidente na estrada quando ele seguia para o Espírito Santo. Segundo o seu relato, um carro de passeio colidiu em uma carreta. “Estava com a minha nora que é médica e nos deparamos com este acidente, uma tragédia”, contou.

O auxiliar teve que agir e fazer os primeiros socorros às pessoas que estavam no carro, um casal e a filha deles de seis anos de idade. Na ocorrência a mulher faleceu, a criança e o condutor do veículo ficaram gravemente feridos.

Ao lembrar-se destes episódios, seu Francisco, começou a lembrar do seu filho, que morreu há três anos. Emocionado ele disse que uma das piores sensações foi a morte do seu caçula, em um desabafo, ele questionou a si mesmo dizendo que já salvou tantas vidas, mas não conseguiu salvar o próprio filho.

Problemas da classe

“Um dos fatores que mais atrapalham o crescimento da classe é a falta de união entre os colegas”, disse Assis

O senhor Rodrigues disse que um dos fatores que mais atrapalham o crescimento da classe em todo o país é a falta de união entre os colegas. Outro fator importante apontado pelo profissional é o fim do sindicato, pois sem um órgão representando a enfermagem não haverá mais ninguém para brigar pelos direitos da classe, como salários e melhores condições de trabalho. “Isso nos chateia, eu fui um dos fundadores do sindicato em Mato Grosso do Sul. Precisamos ter quem nos represente”, afirmou.

Francisco disse que espera do Coren-MS uma atuação firme nas fiscalizações para que ajude a sanar os problemas encontrados nas unidades de saúde do Mato Grosso do Sul que afetam o bem estar do trabalhador e  tiram os direitos de cada um.

O profissional defende uma carga horária de 30 horas que já é realidade aos servidores do município, mas ele defende que os salários também sejam revistos, para que de fato os profissionais aproveitem dessa carga horária e não precisem trabalhar em outros turnos.

Ao finalizar a entrevista, seu Francisco disse que o segredo para se manter tanto tempo na profissão é saber separar o trabalho da vida pessoal.  “Não podemos levar os problemas do trabalho para nossa casa, temos que separar. Não podemos ficar doente com os problemas das pessoas, temos que saber que não resolveremos os problemas de todos e não devemos nos culpar por isso”, finalizou.

Feliz da vida

Assis segue agora ao Espírito Santo onde mora o seu filho mais velho para passar uma temporada de seis meses e assim descansar.

 

 

 

 

 

 

Profissional é homenageado por Conselheiros

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